quinta-feira, 13 de setembro de 2012

Livro de Lia, Cacofonizando...

No livro que Lia lia, a resposta que não vinha
O tempo já não valia, o valor que o texto tinha

Melhor do que o amado que não vinha,
Era o suave trotar que a mula tinha

Levou tudo da maleta que ela tinha
Só deixou uma jaqueta em cima da cama minha

Na casa que pouco tinha, nem saber dela queria
Agora que pouco tendo, nada dela receia

O que tinha tudo deu, e dava o que dela tinha
Agora que nada tendo, nada dela recebia

O toro que já na arena, ao toureiro arremetia
A capa que o touro vendo, o toureiro já não via

O Conde que de volta a capa tinha,
Que sem a capa o toureiro já não vinha

Se medo já não sentia, de tudo o que Diva via;
Rasgou aquela carta, qo o Rodolfo lia

A paixão que tendo que só dela vinha
O amor que dando, já que tanto tinha

Levou Duda e a Leninha, e tudo no barco meu
Agora o que deles tinha, só do dela ele me deu

O Conde que só não viu, do jogo o que sabia,
Só a Dama e o cavalo, o Conde Deu que comia

Antonio Arney

terça-feira, 11 de setembro de 2012

Poemas Antonio Arney


Quem tem música em seu interior
jamais padece em solidão

Produzir sombras no solo, é o modo
mais fácil de fazer chover

Amigo certo é aquele que lamenta
os meus defeitos

Se eu tiver Três qualidades negativas
e apenas uma positiva...
Poucos saberão desta...
Todos saberão daquelas

Antonio Arney

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

Cacofonizando

Não R aQ
ue nessa casas se posso, registrar o filho nosso
Do pai o nome que tinha do filho que nome tendo
Do filho o pai já dizendo, 0 nome dele, JADIGO
Do menino o sobre-nome o pai JADICE que disse
Oficial que não soubera, nem o pai que nome tinha
Da nãe o nome que tinha, era ODELLA que já disse
Do marido o sobre-nome, ela só disse JADICE
No Cartório o escrevente, "credo em cruz" ele dizia
No livro que nada via, só registro ele queria
Do pai o nome se tinha, da mãe o nome que lia
O filho se nome tinha, registrar ele queria
Se resposas nada teve, no livro nada escreveu
O filho se nome tendo, nem pai que nome deu
Dsa mãe que o nome já disse, nem ODELLA me valeu
Só de EVA o nome tinha, o nome que dela deu
De nomes e sobre-nomes, d0 pai da mãe filho tia
Do pai só com R vinha, da mãe ODELLA dizia
Do filho que o pai diria. no Livro nada escreveu
Do padrinho o nome seu, só com O ele me deu
E do Escrivão quem diria, nem dele o nome sabia
Do pai . da mãe e do filho, de repente que bobagem
No recurso só que tenho, vou entar a padrinhágem
E só como tudo achava, num recurso sem emenda
Imediato mande entrar, os padrinos na "contenda"
Do nome que EVA tinha,o sobre-nome queria
Dos filhos também querendo, os nomes que não sabia
Só que sendo dela filhos, ora pois até que emfim
Já que sei vou já dizendo, que são, ABEL e CAIM
Porém EVA já sabentom dos que tinham nome assim
Ora pois digo que não;os nomes que mesmo são,
Os de MANOEL e JOAQUIM
Se JAFIGO o pai que tem, uma irmã que é dele tia
Pois sse mesmo não ouvisse, seu sobre-nome JADICE
Do padrinho só que então. o seu nome já queria
Se bem que agora pedisse, o meu com O, eu já disse pronúncia

É dandQ
ue nessa casas se posso, registrar o filho nosso
Do pai o nome que tinha do filho que nome tendo
Do filho o pai já dizendo, 0 nome dele, JADIGO
Do menino o sobre-nome o pai JADICE que disse
Oficial que não soubera, nem o pai que nome tinha
Da nãe o nome que tinha, era ODELLA que já disse
Do marido o sobre-nome, ela só disse JADICE
No Cartório o escrevente, "credo em cruz" ele dizia
No livro que nada via, só registro ele queria
Do pai o nome se tinha, da mãe o nome que lia
O filho se nome tinha, registrar ele queria
Se resposas nada teve, no livro nada escreveu
O filho se nome tendo, nem pai que nome deu
Dsa mãe que o nome já disse, nem ODELLA me valeu
Só de EVA o nome tinha, o nome que dela deu
De nomes e sobre-nomes, d0 pai da mãe filho tia
Do pai só com R vinha, da mãe ODELLA dizia
Do filho que o pai diria. no Livro nada escreveu
Do padrinho o nome seu, só com O ele me deu
E do Escrivão quem diria, nem dele o nome sabia
Do pai . da mãe e do filho, de repente que bobagem
No recurso só que tenho, vou entar a padrinhágem
E só como tudo achava, num recurso sem emenda
Imediato mande entrar, os padrinos na "contenda"
Do nome que EVA tinha,o sobre-nome queria
Dos filhos também querendo, os nomes que não sabia
Só que sendo dela filhos, ora pois até que emfim
Já que sei vou já dizendo, que são, ABEL e CAIM
Porém EVA já sabentom dos que tinham nome assim
Ora pois digo que não;os nomes que mesmo são,
Os de MANOEL e JOAQUIM
Se JAFIGO o pai que tem, uma irmã que é dele tia
Pois sse mesmo não ouvisse, seu sobre-nome JADICE
Do padrinho só que então. o seu nome já queria
Se bem que agora pedisse, o meu com O, eu já disse


RCBNDO
QC dá 
1dos três, só mente
Hta 1 - RCBNDO 2 - Htinha 3
NC bar, OQ
CV, é a Lia BBR até KIR
O Dudu Q no bar ia só pagava oq bbia

aria, só pagava OQBBIA
 Antonio Arney

Citações 2


ANTÔNIO ARNEY - o Intuitivo da Era Cibernética é segundo Walmir Ayala é o maior artista vivo do Paraná. Enfrentando o mundo com extrema simplicidade, que caracteriza os grandes espíritos, Antônio Arney surgiu de repente nas artes plásticas brasileiras, como um verdadeiro fenômeno. Foi descoberto no Circulo de Artes Plásticas do Paraná, tem recebido grande incentivo do Critico de Arte - Eduardo Rocha Virmond. É no silêncio que Arney cria milagre de transfigurar elementos pré-existentes, por vezes considerados lixo, como um caixote velho, um alicate, um parafuso em elementos vitais. Como uma intuitiva da era cibernética, apreende relações inconscientes em estado puro, fazendo poesia livre numa tendência aparentemente cerebral. De suas experiências anteriores em marcenaria, conserva um sensível relacionamento com a madeira, elemento típico da terra do Paraná.
Sua cromia é essencialmente melódica. Frequêntemente suas obras, embora presas ao suporte bidimensional, rompem o prosaico para com relevo e montagens originais, invadirem com uma tridimensionalidade própria da escultura e do objeto.
As texturas obtidas principalmente com papel jornal transfiguradas pelo uso dos mais variados materiais, as ranhas de madeira, conjugam ao precário a essência eterna em relações vivenciais.
Os parafusos tem ma grande importância na composição, mesmo quando surgem elementos figurativos mais evidentes, agem como ponto de partida das já mencionadas relações, ora mostrando o maquinismo humano, ora abrindo a composição em vibrante nota de sensação poéica imediata.

domingo, 9 de setembro de 2012

À prova do tempo e dos discursos

Seis artistas precursores da arte moderna no estado participam de exposição no Museu de Arte Contemporânea do Paraná. A mostra tem como tema a persistência da pintura
Temia-se que a chegada da televisão determinasse o fim do cinema. Hoje, há quem sentencie a morte do livro para dar lugar aos e-books. Se fosse por decretos como esses, a pintura já teria sido enterrada algumas vezes, a começar quando surgiu a fotografia, no século 19. “Ela, na verdade, se fortaleceu ao deixar de ser mera representação do real”, diz o professor e crítico de arte Fernando Bini.
A persistência da pintura, mesmo após momentos de crise como a vivenciada com a desmaterialização da arte nos anos 70, é a marca comum entre os seis artistas paranaenses cujas obras integram a exposição Pintura Quase Sempre... e Eles Construíram a Modernidade no Paraná, em cartaz no Museu de Arte Contemporânea do Paraná – MAC.
Daniel Derevecki/Gazeta do Povo
Daniel Derevecki/Gazeta do Povo / Molduras de Antonio Arney são como a pintura: uma janela aberta para o espaço 
 
Molduras de Antonio Arney são como a pintura: uma janela aberta para o espaço
Jogo de espelhos no MAC
Um jogo é proposto ao visitante da mostra Pintura Quase Sempre... E Eles Construíram a Modernidade no Paraná logo que ele entra no Museu de Arte Contemporânea do Paraná – MAC. Ali, no hall, três duplas de quadros foram colocadas lado a lado e, em frente a cada uma, cabe ao público intermediar o “bate-papo” entre as obras.
Suba o primeiro lance de escadas e pare diante das telas dos decanos da arte paranaense, Ida Hannemann de Campos e Antonio Arney. De imediato, saltam aos olhos as diferenças. Na pintura “Ao Meio-Dia”, paisagem de Ida beirando a abstração, o curador Fernando Bini aponta a presença marcante das pinceladas, das cores violáceas e “de um frescor espantoso”. Tanta delicadeza parece não ter relações com a rudeza da tela vizinha, uma colagem de madeira e parafusos de Arney, que extravasa ao destruir o próprio suporte.
“Ele não usa pincel, usa tingimento para dar cor ao papel e a madeira. Ao mesmo tempo, mantém o conceito tradicional de arte ao criar uma moldura que dá a ideia de janela. Diz-se que a pintura é uma janela aberta para o espaço”, diz Bini.
Mas, aos poucos o olhar do visitante começa a perceber semelhanças em obras aparentemente tão díspares, que passam pela própria razão desta exposição, que é refletir sobre a força da pintura. Se Arney enfatiza que “pintura não é só tela e pincel”, Ida mostra que é possível manter-se fiel à tradição pictórica com quadros que, “mesmo pintados nos anos 40, guardam o mesmo colorido intenso e fresco de suas obras recentes”, escreve Bini, no catálogo da exposição.
Volte ao hall e faça o mesmo exercício diante das telas de Domício Pedroso e Fernando Velloso. “O primeiro é gráfico e, em algumas obras, pinta inclusive em cima de serigrafia. Velloso, ao contrário, gosta de lidar com a matéria pictórica, cria uma pintura de efeito”, analisa Bini. Por fim, se João Osório Brzezinski valoriza o desenho, a linha, a palavra; Fernando Calderari dá ênfase a pincelada fina, ao traço quase gráfico.
Antonio Arney, Domício Pedroso, Ida Hannemann Campos, Fernando Calderari, Fernando Velloso e João Osório Brzenzinski são alguns dos precursores da pintura modernista no Paraná selecionados por Fernando Bini para compor a mostra, em curadoria realizada a convite do diretor do MAC Alfi Vivern. “Escolhemos um núcleo de artistas que foram expoentes daquele período e que continuam em atividade, mas há muitos outros nomes importantes”, justifica Bini.
São artistas que ajudaram a construir a modernidade no Paraná ao redescobrir o “prazer de pintar”, perdido em meio aos movimentos vanguardistas guiados por manifestos e gramáticas. “A pintura não é só tela e pincel. Ela pode estar presente na videoarte, por exemplo, quando o artista dilui a imagem”, diz Bini, que intitulou a exposição com o nome do livro de Sérgio Milliet (1944).
À exceção do autodidata Arney e do caçula Brzezinski, todos foram alunos do mestre Guido Viaro, que no ateliê ou durante as idas ao campo para pintar paisagens “incutiria neles a ideia de moderno”. Eles fariam parte do Movimento de Renovação, criado em 1957, em oposição à decisão do júri do 14.º Salão Paranaense de Artes Plásticas do Paraná, que eliminou os artistas jovens em favor do academicismo e da mesmice. “Os artistas se revoltaram, retiraram as obras das paredes e criaram o Salão dos Prejulgados”, conta Bini.

Provocativo
Brzezinski, o mais jovem do grupo, tem sua obra marcada pela polêmica. Em plena ditadura militar, cria obras como a tela pintada com as cores da farda e as inscrições “descansar” e “marcha soldado, cabeça de papel, quem não marchar direito, vai preso no quartel”. “Ele queria provocar, e o mais incrível é que todos fomos presos e ele não”, brinca Bini.
“Farsa da Cruz”, uma tela com a cruz cristã sobreposta à suástica, pendurada por um fio de náilon, foi criada pelo artista especialmente para a mostra, com a intenção de polemizar em torno da crise atual enfrentada pela Igreja Católica.
Artistas como Brzezinski e Arney, na opinião de Bini, se não estivessem no Paraná, seriam a vanguarda de seu tempo, ao utilizar elementos que, uma década mais tarde, seriam relacionados à art povera. Arney, por exemplo, usa sacos para compor suas colagens parafusadas, a exemplo do que o italiano Alberto Burri faria um pouco mais tarde.
Se havia pouca informação sobre arte em Curitiba, os artistas Fernando Velloso e Domício Pedroso – que este ano completam 80 anos – foram buscá-la fresca em Paris, entre os anos de 1959 e 1962. O primeiro teria aulas com o pintor André Lothe, mas incomodado com sua rigidez pós-cubista, se dedicaria à abstração. “Ele entra na linguagem contemporânea muito como tentativa de rompimento”, diz Bini. Suas telas de formas abstratas em que sobressaem cor e volume podem ser encaradas como paisagens – os próprios títulos sugerem isso como “Dramático Encontro de Outono”.
Em Paris, Domício faria o curso de Comunicação Visual no Centre Audio-Visuel de Saint-Cloud e deixaria de lado suas famosas “favelas”, séries de casas sobrepostas, sem preocupação com a perspectiva, e que mais tarde retomaria no Brasil, para pintar abstrações relacionadas às novidades que o cercavam. É o caso da tela “Inverno em Paris”, uma rua que tem seus elementos simplificados ao ponto de se tornar quase irreconhecível.
A paisagem parece ser um elemento comum na obra destes artistas, justificada pela própria tradição da pintura, pela qual iniciaram sua formação. Calderari, por exemplo, sai dela para a abstração e, então, retorna a ela em telas entalhadas. “Até voltar a ser completamente figurativo”, diz Bini.
A visita ao MAC – criado, aliás, por Velloso para dar visibilidade ao trabalho dos jovens artistas –, é uma redescoberta da obra destes artistas renomados, que pela falta de memória, um mal que acomete não só o Paraná, mas o país, acabam esquecidos nos acervos dos museus e nas coleções privadas.
“O desconhecimento de nossa tradição é um problema. Um artista não se faz sem conhecer o que foi feito anteriormente. Os museus tinham que ter exposições permanentes com seus acervos de artistas paranaenses”, reclama Bini.

Serviço: Pintura Quase Sempre... e Eles Construíram a Modernidade no Paraná, no Museu de Arte Contemporânea (R. Des. Westphalen, 16), (41) 3323-5328. De terça a sexta-feira, das 10 às 19 horas; sábados, domingos e feriados das 10 às 16 horas. Até 13 de junho.

Publicado em 30/05/2010 | Annalice Del Vecchio
 http://www.gazetadopovo.com.br/cadernog/conteudo.phtml?id=1008520